Marc Ford tem um jeito de tocar que é uma fusão entre David Gilmour, Mick Taylor e Jimi Hendrix. Dessa mistura, coisa ruim não podia sair, nao é? Ele é meu guitarrista favorito já faz algum tempo. Ele é como um pacote completo em termos de guitarristas: seu timbre de guitarra é único e de muito bom gosto, possui um fraseado muito pessoal, é um músico completo (toca bases, solos, é um monstro no slide e de quebra ainda canta), mas principalmente ele coloca muita alma no que faz. Cada nota tem vida, e é tocada com muita sensibilidade. Seu som, os altos e baixos em sua carreira, sua história de recaídas por drogas e afastamento do Black Crowes em troca de uma carreira solo "menos vistosa" me fazem crer que o Marc Ford é um poeta das seis cordas, e como todo bom poeta é um gênio torturado pelos seus demônios.
Mais para um sideman do que para um "músico de banda", Marc Ford costuma a acompanhar diversos artistas, o que mostra o quão versátil ele também é. Ben Harper (fazendo parte da Innocent Criminals e também na tour com os Blind Boys From Alabama), Booker-T, Ryan Bingham, e além de ser membro oficial da Burning Tree, Black Crowes e Blue Floyd. Estes são alguns dos nomes para quem ele já emprestou suas guitarras. Além disso, eu tenho certeza que em muitas das noites de folga, ele coloca sua guitarra no porta-malas e sai a procura de um bar com uma boa banda com a qual ele possa se divertir.
Em seu trabalho solo, eu conheço 3 discos oficiais de estúdio. Os mais recentes são Marc Ford & The Neptune Blues Club e Weary and Wired, e o meu predileto é o primeiro album solo dele chamado "It's about time", do começo dos anos 90. Em seus trabalhos mais recentes, é uma mistura de um Heavy Blues com um pouco de psicodelia. Já o It's About time é um album de country rock, com grandes canções. Só para citar algumas das canções de seu primeiro album. A faixa de abertura do albúm, Hell Or Highwater, foi praticamente extraída de um albúm dos Rolling Stones de 1971. As baladas When you go, Shining Again e Just Let Go são belas baladas acompanhadas de violões. Em Two Mules And A Rainbow nem Neil Young teria feito melhor. Já Change your mind e Giving (as melhores do albúm) deixariam aquele Eric Clapton fase 1970-74 orgulhoso!
Agora tem um detalhe para quem não conhece o trabalho dele: Ouça as versões ao vivo! Algo acontece com ele ao vivo, pois no estúdio ele registra grandes solos (basta ouvir o albúm The Southern Harmony and Musical Companion do Black Crowes) mas ele não chega lá! Agora ao vivo algo quase mágico acontece, e merece ser ouvido. Basta conferir o Freak 'n Roll do Black Crowes, o Live at Apollo do Ben Harper e os diversos vídeos dele no Youtube.
Tentei nesse post, mas eu sinceramente não tenho palavras que descrevam o sentimento que o som desse cara me passa.
Postado por Társio, ao som da melhor banda de blues do mundo (6).
Um comentário:
Caro Társio, se tem alguém torturado aqui, este alguém somos nós !
Marc Ford é genial ! Um dos meus guitarristas prediletos também !!!
Belo texto man !
Abraços
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